Não há tempo a perder. Reunião ministerial apela a um financiamento urgente para os países mais vulneráveis às alterações climáticas

A apenas dois meses da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27) no Egito, África e outras partes do mundo em desenvolvimento que suportam o maior peso das alterações climáticas advertem contra a transformação da reunião num simples desfile de promessas.

O Presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, Dr. Akinwumi Adesina, e os oradores na 2ª reunião ministerial sobre clima e desenvolvimento, realizada à margem da atual Assembleia Geral da ONU, que decorre em Nova Iorque, questionaram o empenho dos países desenvolvidos em cumprir as promessas que fizeram na COP26, em Glasgow, e no Acordo de Paris de 2015.

Apelaram a uma ação urgente para angariar fundos para as nações mais vulneráveis do mundo.

A reunião de alto nível pretende que os objetivos climáticos e naturais sejam integrados na política financeira e económica, assim como um ponto de ação significativo a ser apresentado na COP27, em novembro. 

“Estamos atrasados. Temos de agir. Estou farto de estar sempre a repetir a mesma coisa, demasiadas vezes, nas mesmas reuniões. O ‘business as usual’ é o inimigo coletivo. É tempo de agir”, disse o enviado norte-americano para o clima, John Kerry, acrescentando: “Estamos a trabalhar em algo sério para ser posto em cima da mesa em Sharm El Sheik”.

O senador Kerry falou das suas recentes viagens à Nigéria e ao Senegal, que estão entre os 48 países subsarianos que contribuem com menos de 0,55% das emissões de gás carbónico, mas sofrem desproporcionadamente com os impactos das alterações climáticas.

Ele disse que o mundo deve mudar a forma como faz negócios antes da COP 27 e apelou ao envolvimento do setor privado para angariar o financiamento que é necessário para enfrentar as alterações climáticas. “O clima e o desenvolvimento andam juntos. O ponto-chave é: onde está o dinheiro? Todas as promessas foram deixadas em Paris”.

O Dr. Adesina mostrou a realidade das alterações climáticas em alguns dos países africanos que visitou recentemente, descrevendo a situação como uma coisa de arrepiar o coração.

“Em Cabo Verde, há quase três anos que não chove. Na Mauritânia, vastas áreas estão desertas devido à falta de chuva”, disse o líder do Banco Africano de Desenvolvimento

Adesina disse na reunião: “A África está a sofrer, a sufocar, e está em sérias dificuldades financeiras pelo que não causou. Deve haver um maior sentido de urgência não em falar, mas em fazer e garantir os recursos de que o continente necessita muito desesperadamente”.

Ele encarregou o mundo de apresentar resultados na COP 27, a ‘COP de África’: “Temos de garantir o que é preciso, lá. Se há coisa que precisa de ser garantida, é realmente de adaptação, precisamos desesperadamente de ter o financiamento para a adaptação”.

Adesina falou sobre o Programa de Aceleração da Adaptação de África, liderado pelo Banco, que está a mobilizar 25 mil milhões de dólares de financiamento para apoiar o continente à escala.

Os oradores defenderam uma estratégia coordenada que envolve financiadores, parceiros, e o setor privado a trabalhar em conjunto para financiar as alterações climáticas, especialmente para a adaptação. Além disso, instaram os países a honrarem as promessas que fizeram na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de 2021, em Glasgow.

“A adaptação nunca recebe a atenção que merece. Precisamos de ter a certeza de que estamos a financiar as coisas que têm o maior impacto, disse o cofundador da Fundação Bill e Melinda Gates, Bill Gates.

Ele destacou como o desafio das alterações climáticas tem sido sublinhado por uma série de eventos climáticos adversos este ano, enfatizando a urgência de ação, incluindo o investimento em tecnologias e cientistas nos países em desenvolvimento.

“É fantástico que haja o objetivo de duplicar o dinheiro de adaptação até 2025 para 40 mil milhões de dólares. Vou dizer algumas coisas sobre como pensamos medir esses 40 mil milhões de dólares. A primeira é que provavelmente deveria concentrar-se nos países de baixos rendimentos. As necessidades são bastante traumáticas. Há a questão de como definimos esse dinheiro dado estes acontecimentos climáticos e os seus efeitos na agricultura…”.

“Penso que a comunidade mundial não está a dizer que devemos gastar menos em vacinas para financiar a adaptação climática, mas sim que queremos que este dinheiro seja incremental no orçamento da ajuda”, disse Bill Gates.

A Ministra do Ambiente do Ruanda, Dra. Jeanne d'Arc Mujawamariya, e copresidente da reunião, fez ecoar as vozes dos jovens na reunião.

“Como podem ver, os jovens estão preocupados com o seu futuro. Utilizemos a reunião ministerial de hoje para aprender uns com os outros e partilhar ações práticas e tangíveis que farão com que os jovens se sintam orgulhosos de nós. Estamos aqui juntos, trabalhando lado a lado para enfrentar a crise climática, a fim de assegurar um futuro brilhante para os nossos jovens”, afirmou.

A jovem ativista climático da Papua Nova Guiné Vinzealhar Ainjo Nen enfatizou a realidade da situação no seu país.

“A Papua Nova Guiné é uma das muitas nações insulares a viver a seca do clima e da natureza – longas secas, ilhas submersas, enfim, tudo e mais alguma coisa. O meu povo e eu estamos a existir nestas condições todos os dias”, disse ela no encontro.

Referindo-se ao que descreveu como um longo e complicado processo legal de acesso a fundos climáticos a nível nacional e internacional, observou: “Devo salientar que a mãe natureza não funciona dentro dos quadros legais, e não temos tempo a perder”.

O Secretário Executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, Simon Stiell, fez eco da necessidade do que chamou “uma série de ações” para mobilizar fundos.

“Precisamos de pôr toda a arquitetura a funcionar. Os desastres climáticos estão cada vez mais a surgir sob diversas formas. Estamos formalmente numa década de ação decisiva”, lembrou aos participantes do encontro.

Ruanda e a Presidência britânica da COP 26 copresidiram à Segunda Reunião Ministerial Clima e Desenvolvimento para rever os progressos desde a Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas da COP 26 e fazer avançar a ação climática global transformacional.

A reunião juntou mais de 30 países e representantes da ONU, do Banco Mundial, do Banco Africano de Desenvolvimento e do FMI para avaliar áreas para o progresso nas prioridades dos países vulneráveis ao clima e para levar a cabo a ação climática.

Clique aqui (https://bit.ly/3BZUtCI) para assistir ao discurso do Presidente Adesina no evento

Distribuído pelo Grupo APO para African Development Bank Group (AfDB).

Contacto:
Emeka Anuforo,
Departamento de Comunicação e Relações Externas,
email: [email protected]

Sobre o Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento:
O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento é a principal instituição financeira de desenvolvimento em África. Inclui três entidades distintas: o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), o Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF) e o Fundo Fiduciário da Nigéria (NTF). Presente no terreno em 41 países africanos, com uma representação externa no Japão, o Banco contribui para o desenvolvimento económico e o progresso social dos seus 54 Estados-membros. Mais informações em https://www.AfDB.org/pt

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